O Testemunho do Apóstolo Pedro

[Jesus ] então lhes perguntou: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?” Respondendo, Pedro lhe disse: “Tu és o Cristo.” (Mc 829)

Nenhum advogado de defesa já teve uma testemunha tão digna de confiança sobre a vida, caráter, atividades e identidade de seu cliente do que os cristãos atualmente têm, sobre ávida de Jesus de Nazaré na pessoa do apóstolo Pedro. Ele é sem dúvida o personagem mais marcante nos evangelhos (exceto o próprio Cristo). Como podemos ver pelos registros, ele falou mais do que todos os outros discípulos juntos, fez parte do “círculo íntimo” (juntamente com Tiago e João), e esteve com Jesus nos principais eventos de sua passagem na terra, incluindo sua morte e seus aparecimentos depois da ressurreição.
O próprio Pedro apresentou suas qualificações como testemunha, dizendo: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa, lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (2 Pedro 1.16-17).
O testemunho de Pedro teria validade em qualquer tribunal de nossos dias. Ele foi um homem íntegro, líder e porta-voz da igreja primitiva e o mais influente dos discípulos. Foi respeitado pela igreja até morrer, cerca de trinta e cinco anos depois da morte de seu Senhor. A influência do apóstolo Paulo era quase inexistente naqueles primeiros anos; coube a Pedro ser o líder e a força humana propulsora da igreja primitiva. Conseqüentemente, seu testemunho a respeito de Jesus de Nazaré é de suprema importância.
Felizmente, não temos dúvida em relação às crenças de Pedro. Suas convicções sobre Jesus estão contidas nos sermões que pregou em Atos, nas duas epístolas que escreveu e, quase inquestionavelmente, no evangelho de Marcos (o qual, como vimos, poderia muito bem ser chamado de “o evangelho segundo Pedro conforme foi transmitido a Marcos”).

O Testemunho de Pedro em Marcos
Como já mencionamos, muitos estudiosos acreditam que Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos a ser escrito. E como esse evangelho não menciona o nascimento e a infância de Jesus, mas trata diretamente de sua vida e ministério, começando com o batismo, ele atesta a natureza sobrenatural de Jesus em todos os aspectos.
Examinemos os seguintes tópicos do evangelho de Marcos:
Sobre a identidade de Jesus: “[Jesus] então lhes perguntou: ‘Mas vós, quem dizeis que eu sou? ‘Respondendo, Pedro lhe disse: ‘Tu és o Cristo.’” (8.29).
Sobre a morte e ressurreição de Jesus: “Então começou ele [Jesus] a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que depois de três dias ressuscitasse. E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o aparte, começou a reprová-lo. Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro, e disse: Arreda! Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus, e, sim, das dos homens.’” (8.31-33).

Este é, certamente, um testemunho interessante, uma vez que não apenas registra uma das predições de Jesus sobre sua paixão, mas também que Pedro não esperava que tal coisa acontecesse!
Sobre a transfiguração de Jesus: “Então Pedro, tomando a palavra, disse: ‘Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas; uma será tua, outra para Moisés e outra para Elias’. Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados.” (9.5-6).

Outro testemunho interessante, não somente pelo testemunho de Pedro sobre a transfiguração, mas por sua óbvia surpresa diante do acontecimento.
Sobre a promessa de Jesus do galardão eterno: “Então Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.’ Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no mundo por vir a vida eterna:” (10.28-30).
Sobre a exatidão e poder da palavra profética de Jesus: “No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela nada achou senão folhas; porque não era tempo de figos. Então lhe disse Jesus: ‘Nunca jamais coma alguém fruto de ti’. E seus discípulos ouviram isto. ...E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz. Então Pedro, lembrando-se, falou: ‘Mestre, eis que a figueira, que amaldiçoaste, secou’“ (11.12-14, 20-21).
Sobre a capacidade de Jesus de prever o futuro: “No Monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular: Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se.’” (13.3-4).
Sobre a capacidade de Jesus de prever o comportamento das pessoas: “Disse-lhe Pedro: “Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!’ Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negar ás três vezes. ‘Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei.’... E logo cantou o galo pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. ‘E, caindo em si, desatou a chorar.” (14.29-31,72)

Novamente, um testemunho interessante, porque ressalta a capacidade sobrenatural do Senhor em face da conduta de Pedro.

O Testemunho de Pedro em Atos
A Bíblia ensina que o Espírito Santo desceu sobre as pessoas no dia de Pentecoste, cumprindo a profecia de Joel 2.28-30. Os sermões de Pedro e de outros que falaram naquele dia eram bem conhecidos pelos membros da igreja primitiva, tendo sido escritos nos trinta anos que se seguiram a esses acontecimentos, quando muitas testemunhas oculares desses eventos ainda viviam.
Se Lucas tivesse cometido erros em seu relato, você pode estar certo de que muitas testemunhas oculares teriam reclamado. No entanto, em toda a história da igreja, nenhuma objeção foi encontrada. Lucas foi extremamente cuidadoso ao registrar com precisão o que as testemunhas oculares lhe transmitiram.
No primeiro sermão pregado por Pedro no dia de Pentecoste (Atos 2.14-40), podemos observar as referências aos seguintes acontecimentos na vida de Jesus de Nazaré:
“Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais.” (versículo 22)

“Vós o matastes, crucificando-opor mãos de iníquos.” (versículo 23)

“Ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte.” (versículo 24)

“Deus lhe havia jurado [a Davi] que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono.” (versículo 30)

“Referiu-se [Davi] à ressurreição de Cristo.” (versículo 31)

“A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.” (versículo 32)

“Exaltado, pois, à destra de Deus.” (versículo 33)

“A este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (versículo 36)

“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados.” (versículo 38)

Ao longo do livro de Atos Pedro dá um forte testemunho sobre a identidade, missão e ações de Jesus Cristo. Observe especialmente os seguintes textos que esclarecem as convicções do apóstolo sobre quem era Jesus:
“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (3.6)

“De um salto se pôs em pé, passou a andar... saltando e louvando a Deus.” (3.8)

“O Deus de nossos pais glorificou a seu Servo Jesus [pela ressurreição].” (3.13)

“Vós, porém, negastes o Santo e o Justo [Jesus].” (3.14)

“Matastes o Autor da vida.” (3.15)

“A quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. “(3.15)

“Pela fé em o nome de Jesus, esse mesmo nome fortaleceu a este homem.” (3.16)

“Deus... anunciara por boca de todos os profetas que o seu Cristo havia de padecer.” (3.18)

“E que envie ele [Deus] o Cristo,,, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração.” (3.2,21)

“Disse, na verdade, Moisés: ‘O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser,’” (3.22)

“Tendo Deus ressuscitado ao seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar.” (3.26)

“Todo o povo de Israel... em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos.” (4.10)

“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.” (4.11)

“E não há salvação em nenhum outro.” (4.12)

“Abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (4.12)

“Com grande poder os apóstolos [incluindo Pedro] davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus.” (4.33)

“O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o em um madeiro.” (5.30)

“Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador.” (5.31)

“...afim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados.” (5.31)

“Nós somos testemunhas destes fatos.” (5.32)

“E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de pregar Jesus, o Cristo.” (5.42)

“Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.” (10.36)

“Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” (10.38)

“[Os judeus] tiraram a vida [de Jesus], pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia, e concedeu que fosse manifesto.” (10.39-40)

“[Manifesto]... às testemunhas... escolhidas por Deus... a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos.” (10.41)

“Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados.” (10.43)

Lembre-se de que todas as referências acima sobre Jesus vieram espontaneamente de Pedro. Ele não planejou essas palavras de testemunho com antecedência; o que ele disse foi por meio da fé nas doutrinas centrais da crença cristã, incluindo a vida sem pecado, o poderoso ministério de cura, o cumprimento das profecias, a ressurreição física, a capacidade de perdoar pecados e conceder vida eterna — todos atributos característicos de Jesus.
Qualquer pessoa com olhos para ver deve convencer-se de que Pedro, falando publicamente aos seguidores de Jesus no momento histórico em que a igreja se formava, acreditava ser Jesus o Filho de Deus vindo em forma humana. Ele também reconheceu que Jesus foi crucificado e que Deus o ressuscitou fisicamente como um testemunho de sua aprovação divina.

O Testemunho Escrito de Pedro
Os escritos de um homem resultam geralmente de uma reflexão mais deliberada sobre suas crenças e não uma expressão pública espontânea, como um sermão, discurso ou testemunho. Com isto em mente, examinemos os dois livros que têm a autoria de Pedro, a fim de verificarmos quais eram suas crenças a respeito de Jesus, trinta anos depois da ressurreição. Na primeira epístola de Pedro, Jesus é apresentado de diversas formas...
“Um membro da Trindade (observe que os três membros são mencionados no mesmo versículo): “...eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírita para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo.” (1.2)

“Uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.” (1.3-4)

Na “revelação de Jesus Cristo “ (1.7, uma referência à segunda vinda), Ele recompensará todo aquele que crê.
Os profetas “indagaram e inquiriram “ “a respeito desta salvação “; o Espírito de Cristo estava neles indicando “os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam.” (1.10,11)

“Fostes resgatados... pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1.18-19)

“Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória.” (121)

“Chegando-vos para ele [Jesus], a pedra que vive... veio a será principal pedra, angular.” (2.4, 7)

“Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo.” (2.21)

“O qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca.” (2.22)

“Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele [Deus] que julga retamente.” (2.23)

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados... por suas chagas fostes sarados.” (2.24)

“O Pastor e Bispo das vossas almas.” (2.25)

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito.” (3.18)

“...uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo; o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes.” (3.21-22)

“Tendo Cristo sofrido na carne... [por vivos e mortos]... para que... vivam no espírito segundo Deus. “(4.1,6)

“Eu [sou também] testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada.” (5.1)

“O Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória.” (5.10)

A segunda epístola de Pedro foi escrita já no final da vida de Pedro, quando ele sabia que seu tempo sobre a terra estava se escoando. Muito antes o Senhor havia predito que Pedro seria martirizado (veja João 21.18-19), e o apóstolo compreendia que esse tempo estava chegando. Se quisesse uma oportunidade para renegar suas crenças e salvar sua pele, esse era o momento. Mas vemos que suas convicções permaneceram firmes como nunca sobre a identidade de Jesus de Nazaré.
“Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus nosso Senhor.” (1.2)

“Desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (1.11)

“Certo de que estou prestes a deixar o meu tabernáculo, como efetivamente nosso Senhor Jesus Cristo me revelou.” (1.14)

“Nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade.” (1.16, uma referência à transfiguração)

“Ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. ‘“(1.17)

“Não retarda o Senhor a sua promessa... virá, entretanto, como ladrão, odiado Senhor. “(3.9-10)

“Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.” (3.18)

É evidente que a compreensão teológica de Pedro tinha amadurecido durante os trinta e poucos anos em que ele cresceu na fé, pois em seu segundo livro revela algumas verdades que não são encontradas em nenhum outro lugar. Porém, uma coisa permanece imutável: Cristo recebeu a primazia, sendo retratado como uma pessoa viva e sem pecado, realizando milagres e sinais para glorificar a Deus e fazendo com que o povo soubesse realmente quem Ele era.
Pedro é incisivo em seus escritos ao afirmar que foi uma testemunha de que Cristo ressuscitou depois de sofrer por nossos pecados. Não há nenhum indício de vacilação em seu testemunho, embora ele confesse que sabia de sua morte iminente como mártir.

[b]Um Testemunho Imutável
Pedro viveu e morreu testemunhando com seus lábios (e com sua pena) que Jesus era o sobrenatural Filho de Deus que morreu por nossos pecados e ressuscitou no terceiro dia — exatamente como os profetas disseram que seria! Do Pentecoste em diante Pedro nunca vacilou em suas convicções. Felizmente para nós, ele não estava sozinho.